16 abril 2010

Ser e Estar em Pataxó, Pataxó Hãhãhãe e Tupinambá

Partilhar esta experiência aqui no blog trata-se de mobilizar conhecimentos e sentimentos vividos em Curumuxatiba... uma tarefa da qual me sinto imensamente alegre
por fazer mas, devo confessar, que por mais que elabore sinto que jamais poderei partilhar a intensidade do que vivi.
Amigos do GEPEm Pt, foram 8 dias de emoção... de aprendizagem... de interação! Estive no
extremo sul da Bahia - estado do nordeste brasileiro, num vilarejo chamado Cumuruxatiba, praiano e reservado as palmeiras e as baleias Jubarte, e sito na reserva do Parque Nacional do Monte Pascoal. Sim... isso mesmo... exatamente o lugar avistado de longe por Cabral, ou quiça escolhido para ser dito o primeiro lugar a ser avistado. Caso tenha sido uma escolha... ao chegar em Cumuru sabe-se que esta foi de muito bom gosto. Caso tenha sido acaso... ulálá... que espetáculo!
Mesmo depois de tantos anos, e com um começo de opressão e dominação (reconhecido como actos normais nos tempos dos grandes descobrimentos!) devo-lhe dizer que há muito tempo não me sentia tão bem acolhida. Desde minha ida ao Parque Nacional do Xingu (onde me lembro de ter sentido uma enorme alegria em chegar junto aos Mebemgokrê, Panará e Tapayuna) que não vivia o que habita no meu mais profundo eu... a tranquilidade de ser o que sou, de estar onde estou (e contradizendo minha querida Rita Lee... naquela hora não faltava mais nada!).
Cumuru é um lugar Pataxó: respira-se o movimento de etnogênese e adequa-se às necessidades de sobrevivência do UNO (eu, noutro e natureza). Neste lugar fui trabalhar como
professora de etnomatemática a convite da Universidade Estadual da Bahia por meio da minha actual amiga Maria Geovanda Batista - coordenadora do LICEEI (Licenciatura Intercultural de Educação Escolar Indígena), no módulo Introdução aos Conceitos Matemáticos. Que desafio! Que prenda! Pensei muito em cada um de vocês em Cumuru e nos amigos da Comunidade Fronteiras Urbanas (ichhh... devo concordar com minha querida Rita Lee... logo após o impacto da chegada: "agora só falta o GEPEm PT!").

Introdução aos Conceitos Matemáticos começou com nossa introdução - um bate papo rodeando nossos desejos, nossas expectativas e nossas necessidades. Foram 9 horas de aula no primeiro dia.... domingo dia 08 de Março! Que aula! Um movimento de encontros... externos e internos foi no que chegou a dinâmica proposta num acto colectivo. Conceito de Espaço foi o tema norteador e situcionalizador.
O processo educacional numa postura etnomatemática liberta-nos da hierarquia imposta na postura tradicional. Estou preparando um espaço na web para partilhar convosco as aulas e os portifólios digitias de cada aluno que estou desenvovendo. Sei que este material, trabalhado com eles, será de mais valia para todos... um produto libertário vindo de um processo participativo e construtivo dentro deste movimento de descobertas, de aprendizagens.
Depois deste AUÊ - ritual na chegada e partida do sol - sei que tenho muito mais a partilhar... mas aterro aqui... e deixo o sentir da janela que vivi!

2 comentários:

  1. Olá, Mónica e restantes queridos amigos...

    Aqui fica um grande abraço!!

    Depois de te ter ouvido e de ter visto os desenhos de todos em tua casa, já cá, naquela maravilhosa «Happy Hour», fica o meu sentimento de enorme alegria pela possibilidade que nos dás de conhecermos outros mundos, diferentes, e também a consciência de uma grande felicidade por toda esta diversidade - tão enriquecedora para cada um de nós. Tenho quase a certeza que este sentimento não é apenas meu, e que é partilhado por tod@s os que estão à tua volta e têm o privilégio de aprender contigo e, assim, uns com os outros.

    Bjs para tod@s e uma óptima semana

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  2. ... aiaiai ... que me esqueci de uma coisa muito, muito importante: espero que já te estejas a sentir melhor hoje, MoNi!! ... :-) ... muita LUZ (!!) e FORÇA para o projecto do Bar!!
    :-)

    Bjs especiais para ti

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